Pra mim, os últimos dois anos parecem bem mais rápidos do que os últimos três meses. Os últimos três meses passaram como se fosse uma vida. Os dois anos, de repente, parecem ter voado.
Dois...?! Quatro.
Quatro anos que passaram rápido demais em comparação com os primeiros meses desse ano.
Não, não pelo fato isolado. É mais um lance de estar ou não completa. Estar, ou melhor, SER feliz e se afogar em depressão.
E aí, sábado... nem parece que foram dois anos né?!
Parece que foi ontem.
Uma conversa normal no MSN. Um convite: "Vem aqui". Uma aventura, loucura. Uma desconfiança.
Chegar lá, conversa normal, mas mais íntima. Carinho. Outro convite: "Quer ver meu quarto?". Mais desconfiança. Hesitar? NÃO... A espera foi longa. Dois anos. Mas podia não acontecer.
A tremedeira (de ambos). A lentidão dos movimentos. Chegar no quarto e ficar em pé, enquanto ele sentava na cama. E mais convite: "Senta aqui do meu lado". Pensei 'estou bem de pé' mas por uma fração de segundos. Afinal, não podia ser ruim, podia?!
Sim, podia. Não era o certo. O certo seria eu esperar. O certo seria fazê-lo esperar. O certo era ser sensata. Mas o amor (sim, amor, não só desejo) falou mais alto.
Sentar sem olhar pra ele e meio longe. Ele chegar mais perto. Sussurro: "Posso te beijar?". Assim. Uma pergunta. a coisa mais doce que já me aconteceu.
Eu sabia que estava tremendo. Não existia mais mundo fora do quarto. Era o meu mundo. Tudo o mais não tinha importância. Eu podia senti-lo tremendo também. Respondi um 'pode, ué' com um sorriso nos lábios e sem conseguir respirar.
Aconteceu. O beijo mais doce. Não sei quanto tempo durou esse primeiro. Podem ter sido segundos, minutos, horas, DIAS... eu não teria me importado.
Mas depois do primeiro veio o segundo, terceiro... rolando na cama de solteiro com o cheiro DELE.
E de repente não havia mais camisas. Nem minha, nem dele. E PAROU POR AÍ.
Porque o fato importante foram os primeiros beijos. Os meus primeiros beijos. Os dele.
O importante era o contato. Boca com boca. Pele com pele.
E sim, foram só beijos. Não me arrependo. Foi realmente melhor sem as camisas. Sentir o calor, o desejo, o AMOR.
Sentir os tremores. Sentir o coração dele batendo junto e perto do meu. Mais perto do que qualquer um um dia vai estar dele (isso é um fato, já que sou destrocardíaca, ou seja, meu coração é do lado direito, então fica mais perto do qualquer coração quando abraço as pessoas). Mas era mais especial.
O ritmo foi perfeito. Parecia coreografia ensaiada. PER-FEI-TO. Não tem outra descrição.
Nada na minha vida foi tão perfeito quanto aquele momento.
Mas tinha que acabar, afinal, não poderiam me encontrar lá. E eu tinha aula.
Últimos beijos no sofá.
E O PORTÃO FAZ BARULHO.
Alguém estava abrindo o portão.
Tive que me esconder nos fundos.
Ele teve que disfarçar.
Saí engatinhando pela janela da cozinha, onde a mãe dele começou a lavar alguma coisa.
Passei correndo pela porta da sala.
Esperei ele vir fingindo levar o lixo pra fora.
Saí.
MISSÃO IMPOSSÍVEL!
Quase passei engatinhando pela janela cantando a musiquinha.
E daí que quase tínhamos sido pegos?
Eu o beijara. O resto que se explodisse naquele momento.
E foi com o maior sorriso que já dei na minha vida que passei muito tempo.
Parece que foi ontem.
Me lembro de cada detalhe.
Ok, não cada detalhe. Não me lembro por exemplo com que roupa ele estava, já que decididamente cheguei constrangida demais pra olhar pra ele.
E depois ele estava de short e sem camiseta. ENFIM.
Me lembro de tudo. Como um filme.
Me lembrei de tudo sábado. Como um filme antigo no repeat. Cada momento no replay.
SÓ dois anos.
Antes parecia uma vida. antes, parecia que aquilo tinha sido a muitas vidas. Uma coisa natural. Uma coisa que sempre foi feita.
Mas agora parece que foi tudo tão rápido. Etéreo. Como fumaça.
E minha vida se estende por três meses. Como três vidas. Três eras.
Existia o antes, sem importância. Existiu a minha vida. E existe o agora, somente sobrevivência.
Mas eu nunca vou esquecer aquele olhar. O tremor nas vozes. A falta de ar. A lentidão dos movimentos. E a pergunta. SIM, A PERGUNTA!
Sábado fez dois anos.
"Comemorei" sozinha. Com as minhas lembranças.
Enquanto outra comemoração (independente, ERRADA) acontecia. Sem ser esquecida por mim. Mas sem que eu sequer fosse lembrada.
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